Fomos assistir a uma peça de teatro levada à cena pela companhia de teatro O Sonho, intitulada "Os Lusíadas de Calções”.
Gostei muito da peça por dois motivos: por um lado, os actores são excelentes e interagem muito bem com o público. São apenas cinco actores, mas cada um deles consegue assumir bastante bem diversas personagens; por outro lado, a peça baseava-se na obra épica “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, faziam-no de forma cómica, cativante e motivadora. Esta peça permitiu-me rever os conteúdos estudados acerca da epopeia de Luís Vaz de Camões e de consolidar os conhecimentos que já possuía.
Texto da autoria de Inês Veiga, nº 12, 9ºA (adapt.)
Quando me pediram para falar sobre a viagem de estudo realizada nos dias 16 e 17 de Abril, tive uma grande vontade de escrever, de falar, de contar todos os pormenores. Relembrei a madrugada da partida, a viola, as canções no autocarro, as mochilas com as marmitas preparadas pelas mães. Senti falta do passeio e do convívio.
Para além de ter consolidado conhecimentos adquiridos, nas áreas da História e da arte de representar, melhorei e desenvolvi o meu gosto pela cultura, pelo saber, pela novidade.
Se tiver de nomear ou seleccionar algum momento, algum lugar ou alguma visita, a minha escolha incidirá, como amante de teatro que sou, na noite do primeiro dia: a ida ao Politeama. Assistir à “Gaiola das Loucas”, de Filipe La Féria, foi, na minha opinião, “o momento alto” da viagem. Porquê a minha escolha? Para além de já apreciar o teatro, e tudo o que nele acontece, naturalmente, La Féria tem a capacidade de, num país culturalmente tão pobre como o nosso, conseguir uma perfeição na encenação inigualável. Todos os cenários, todos os figurinos e todo aquele ambiente são mágicos. Desde as luzes, ao som, ao palco, ao grandioso elenco, composto por José Raposo e Carlos Quintas, conjuntamente com Rita Ribeiro, Joel Branco, Helena Rocha, entre muitos outros actores, bailarinos e cantores reconhecidos pelo talento que têm, tudo em conjunto surpreende, delicia, motiva, agrada.
Todo o ambiente da viagem foi bastante agradável, graças à colaboração dos alunos e do seu comportamento, e ao trabalho, organização e esforço dos professores.
Na minha opinião, estes dois dias foram um sucesso, tanto a nível pessoal como educativo·e·cultural.
Texto da autoria de Beatriz Dias, nº 3, 9º A (adapt.)
16 e 17 de Abril. Destino: Lisboa. Relembro uns quantos olhos atarantados pelo sono, três ou quatro pares de phones que deixavam escapar música pop, duas guitarras que começavam a ganhar vida. A excitação e ansiedade emanavam dos corpos, sensações recompensadas com os dois dias maravilhosos passados na capital.
A viagem estava extremamente bem organizada, a agenda cheia com espaços a visitar onde aprendemos e nos divertimos. Consolidei conhecimentos: de História, com a ida ao Palácio de Belém e ao de S. Bento, e ainda ao Mosteiro dos Jerónimos e à Torre de Belém; de Teatro, com o visionamento da riquíssima peça “A Gaiola das Loucas”, que não poderia deixar de mencionar neste texto, obviamente. Na minha opinião, a ida ao Teatro Politeama foi a que mais me agradou, devido à excelência da representação encenada por La Féria, que a isso já nos habituou. Os actores consagrados, desde José Raposo a Rita Ribeiro, as luzes, o palco, os bailarinos perfeitamente coordenados, o espaço envolvente, transportaram-me para um mundo mágico, irreal.
Não posso deixar de mencionar o convívio salutar que se gerou, fortificando laços e criando novas amizades.
Esta viagem memorável foi benéfica para todos os que nela participaram, desde o conhecimento de novos espaços à consolidação de conhecimentos adquiridos nas aulas, passando pelo convívio saudável, e claro, o divertimento.
Espero poder integrar, num futuro próximo, numa viagem de estudo como a que se realizou no passado mês de Abril.
Texto da autoria de Catarina Almeida, nº 5, 9º A
PEÇA DE TEATRO
Sinopse
A vida é mais longa para uns do que para outros, no entanto somos capazes de a dividir em fases: criança, adolescente, adulto, idoso. Da primeira guardamos na lembrança as melhores histórias, os momentos dos melhores sonhos, acredita-se na existência da Branca de Neve como da mãe, crê-se na realidade da Príncipe Ariel como se confia no pai. Depois, os anos avançam e a realidade sobrepõe-se à fantasia. Vêm os conflitos, as descrenças, o egoísmo assumido, as novas aventuras (algumas perigosas), os dramas, as maluqueiras. Uns são passageiros, outros nem por isso.
Catarina Almeida – Cinderela - histéricaBeatriz Dias – Capuchinho - oferecidaGonçalo Almeida – Tarzan - amaricado /gayMariana Paula – Branca de Neve - alarveBeatriz Santiago – Aladino - DJ doidoDénis Amaral– Gato das Botas - sabichão burroAlberto Júnior- Anão - saloioRafaela Soares– Sininho - pirosaFilipa Pais – Sereia Ariel -peixeiraPedro Nuno – Lobo Mau - atrofiadoCristina Amaral – Esmeralda - ciganaDiana Damásio – bruxa (da Branca de Neve)- católicaBruno Carvalho – Príncipe Ariel – chuloMafalda Correia – Rapunzel -cowgirlCátia Santos – Pocahontas -badalhocaJoana Fidalgo – Minnie- falsa
Os convidados são recebidos no foyer pelos alunos vestidos com os fatos com que irão apresentar-se em cena.Sala às escuras. A peça abre com a projecção do logotipo dos filmes da Walt Disney e respectiva música com que abrem esses filmes.
- PARTE I -
Cenário: Cenário de conto de fadas: torre da Rapunzel e trono.
Aladino – (em voz off) Era uma vez, há muitos muitos anos, quando as galinhas ainda tinham dentes e os restantes animais falavam, aconteceu uma caldeirada. O Walt Disney ficou pirado da tola e resultou uma coisa assim …(Tarzan descendo pelos cabelos da Rapunzel)Rapunzel – (grita como se fosse Tarzan) – Ah… ah, ah, ah, ah, aaaahh!!!Tarzan - (com ar assustado e colocando as mãos sobre o coração) – Ai qu’ horror, credo!Rapunzel – (pega na ponta do cabelo, com ele faz um laço com o qual tenta caçar o Tarzan) – Anda cá bicha! Sua Safada! Macaca Maluca!Tarzan – Porque gritas, sua histérica?! Estás com dores de dentes?!Rapunzel – (irritada) Palerma! Insensível! Não vê que me está a puxar as gadelhas?
(Entra a Branca de Neve a comer uma perna de frango, com a boca suja e acompanhada do anão)
Branca de Neve – (com ar superior) Zangados?! Mais valia esfomeados!! Deixem-se disso! (volta-se para o anão Checa) – Checa, a bucha.Anão – Preta de Neve, um choiriço, uma boroa, uma morcela, uma órelha, um pé de bácoro… ou bácora, uma ceboila à racha e um popino.Tarzan – (senta-se junto da toalha e diz com gestos maricas) – Para mim, uma banana, se faz favor.Anão – Só temos da Madeira.Tarzan – Muito piquenas.Branca de Neve – Olhem que isto não é a República das Bananas! Nem a do Alberto João! (ordenando a Checa) Dá-lhe um chouriço pilão.Tarzan – Ui!
(Entra a bruxa com um véu na cabeça, olha para o Tarzan, ajoelha-se e benze-se. Tenta espreitar debaixo da tanga)
Tarzan – (muito maricas) – Ó querida, ó linda, o que quer?! Chouriço pilão?!!Bruxa – Que bicha, Jesus Cristo (benze-se).Tarzan – (muito assumido e cheio de ares) Bicha sim, Cristo não.Branca de Neve – (olha para a bruxa) – Olha a papa hóstias.Bruxa – Ó Preta de Neve, qu’andas tu a roer que 'tás um pote! Tenho de te levar ao Tallon, sua balofa!Rapunzel – Nada disso. Prefiro levá-la ao Póvoas. Ela é minha amiga, eu gosto dela e …Branca de Neve – (muito alterada) Quem vos deu licença para decidirem sobre a minha vida? Vale mais ser gorda e feliz, a ser esquelética, anoréctica, bulímica, e nem ter dinheiro para arranjar o cabelo, sua peluda, cabeluda, felpuda.(Entra o Gato das Botas)Gato das Botas – Ciau. Felpudo? Quem chamou?Bruxa – Xau? Nem Xau nem Skip, eu só uso Ariel.(Entram o príncipe e a sereia Ariel pintados de preto)Príncipe e Sereia - Chamaram?Príncipe – Eu sou o príncipe Ariel.Sereia – Eu sou a pequena sereia Ariel.Bruxa – Com Ariel, preto mais preto não há.Príncipe – De que estão a falar? Preta só conheço uma: a Preta de Neve, essa balofa. Agora a que está a dar é a Capuchinho.(Música erótica - Joe Cocker «You can leave your hat»)Capuchinho - (dengosa) Oi gato, cheguei!Gatos das Botas – (Muito dengoso também) MIAUUU. (atira-se à Capuchinho Vermelho)Príncipe - Primeiro pagas, depois usas.Sereia Ariel – (visivelmente irritada) Usas mas não abusas, para isto estou cá eu.(Entra o Aladino, com um rádio no ombro a ouvir a música «Calcinha Preta» dos Tutti Frutti)Príncipe – (canta, animado) – Chupe, chupe, chupe …Capuchinho – O que queres que chupe?Príncipe – Ketchup só nos hamburgers .Branca de Neve – Hamburguers? Comida? … Já se marfava qualquer coisa!Príncipe – Só tenho chouriço pilão.Branca de Neve – Mas eu é só salpicão … (irónica) tem mais chicha!(Esmeralda, Pocahontas, Lobo Mau e Minnie entram em palco e poisam a estrutura onde é transportado o Aladino. Ouve-se uma música cigana – Gipsy Kings «Baila me»)Esmeralda - (dançando, monta uma banca de roupa e grita à maneira dos ciganos enquanto exibe os produtos) – Olha os Lebes! Olha as Ardidas! (e dançando, continua a gritar) Doce e Abana! Lagosta!
(E continua a dançar enquanto se dirige ao público. Senta-se numa mesa e pede a mão a alguém - homem - para lhe ler a sina)
Esmeralda - (dirige-se à pessoa e identifica-se) – Sou a mestre da Maia, quase abelha mas com um ferrão muito mais comprido.Pode emprestar-me a sua mão? (Analisa a mão por uns instantes) Bem, a linha da vida diz-me que está vivo, mas há-de morrer; a linha da cabeça, diz que nunca se esquece dela ; o monte de Vénus, ui!, não engana : o senhor está grávido de gémeos. Quer saber mais? Pois bem, agora está sentado mas há-de levantar-se (aparte) para ir para casa. Há-de pentear-se enquanto não ficar careca; há-de fazer a barba enquanto tiver lâminas; há-de comer, se tiver fome, e beber, se tiver sede. Andará a pé, se não tiver carro; dormirá se tiver sono; libertar-se-á de mim quando me pagar.
(Ouve-se de novo a música cigana. Esmeralda levanta-se e, a dançar, dirige-se ao palco para ler a sina à Pocahontas, que aparece ligeiramente suja na roupa e na pele - cara e mãos)Esmeralda – Como se chama?Pocahontas – Pocahontas.Esmeralda – (pegando na mão da Pocahontas) – Porcalhotas? Nome que lhe assenta que nem uma luva! Bem se nota! E o seu marido? É o Porcalhoto, não?!Pocahontas – Por acaso não. É o Baby!Esmeralda – Qual? O porquito? A senhora é uma pedófila. Com um Baby! A senhora conhece o Carlos Cruz?Pocahontas – Sou amiga da Gertrudes, porquê?Esmeralda - A sua mão não engana! Estão cá todos: Ferreira Dinis, Hugo Marçal, Bibi, …Pocahontas - Bibi ou Bóbó ? Eu só conheço o Aniki-Bóbó!Esmeralda - (irónica) Tem muita sorte!Capuchinho - Vovó? Onde está a vovó que o Lobo Mau comeu?Pocahontas - Ó que sorte que ela teve! (A fazer beicinho) Só eu não sou comida por ninguém! Estou farta desta vida…Esmeralda – Porquê tantos lamentos, minha filha?Pocahontas - A doença não me larga.Esmeralda – A linha da vida não engana. É como o algodão. Há-de viver até morrer, mas até lá sofrerá muito da próstata.Pocahontas – (incrédula) Da próstata?!Esmeralda - Da próstata e da cabeça.Pocahontas – (mantendo o tom incrédulo) Mas como, se eu sou uma mulher?!Esmeralda – Diz você! Na outra vida a senhora foi o Michael Jackson, sabia?Pocahontas - Não. (Imita o Michael Jackson, dançando)Esmerada - Nunca se viu ao espelho? Olhe bem a sua cor? (aparte - Que já não tem) Olhe o seu sexo? (aparte - Que sexo!)Pocahontas - Já chega. Não quero ouvir mais. (E sai do palco a correr e a chorar)Lobo Mau - (corre atrás da Minnie) Ó rata, dax-me o teu msn pah falarmx?Minnie - (olha para baixo, na direcção do sexo) Dás-lho? (alguém aparece em palco com um círculo vermelho, semelhante ao que é exibido quando o filme não se destina a menores)(A música dos Aqua - “Barbie Girl” - interrompe a conversa)Lobo Mau – (volta-se para a Cinderela) Queres ir dar uma volta na minha máquina nova, uinda.Cinderela - (usando tom de voz esganiçado) Ya meu, vamos nessa.(O Lobo Mau vai buscar o carro de bateria/triciclo e entra em palco nele)Lobo Mau – Monta!Cinderela - Que lata! Foste buscar um Mercedes e eu queria um Fiat.Lobo Mau – (irónico)Fia-te na virgem e não montes! Vais mesmo de coche!Cinderela – (muito afectada) Que bruto! Seu insensível … Seu animal!Lobo Mau - Chama-me tudo, menos animal.Cinderela - Desculpa se me enganei. Também a seres animal preferia que fosses um sapo a um lobo... farrusco e peludo!Lobo Mau - Porquê?Cinderela – (muito dengosa) Pelo menos podia obter um príncipe quando o beijasse nos lábios.Lobo Mau – (irónico) Lavas os dentes? Que pasta usas? Andas a ver muitos Morangos … (sarcástico) És uma porcalhona!Pocahontas - Alguém chamou?Cinderela - Shiuuuu, cala-te.(Lobo Mau volta-se para a Pocahontas)Lobo Mau - Ó Jeitosa, vai uma voltinha?Cinderela - (irritada) Animal duas vezes! Andas a trair-me?Pocahontas - (arrota e levanta os braços) Bora lá.(Cinderela e Lobo Mau com gesto de reprovação)Minnie (entra em palco a cheirar) - Huum, que cheirinho! (Vira-se para o lado com cara de enjoada) Que estrume!(Porrada entre Minnie, Porcahontas e Cinderela. Imitando o boxe, Tarzan passa com os cartazes da ronda e dos números)(Aladino vai buscar 4 homens ao público que servirão de postes de um ringue de boxe, enquanto a Capuchinho os entretem; o Lobo Mau cerca o ringue com uma fita socorrendo-se dos 4 homens que servirão de postes do ringue. Enquanto isto, a Branca de Neve bate com uma colher num tacho que serve de campainha de combate. O Tarzan exibe o cartaz «ROUND 1», mas é empurrado contra um dos homens que serve de poste.Entra a Sininho com uma carteira cheia de confettis. São lançados foguetes de festa de anos)Sininho: Paz e amor! (Atira os confettis)(As luzes apagam-se. Os lutadores e postes caem no palco, só a Sininho se mantém de pé. Ouve-se o som de um CD a rebobinar. A Sininho é iluminada por um foco de luz.A Sininho declama «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades», de Camões, que introduz a parte seguinte da peça. Enquanto lê, vai-se despindo, tirando a roupa e os adereços da personagem e tornando-se uma pessoa “normal”.Entretanto, o texto acaba de ser declamado, as luzes apagam-se e ouve-se o bulício de uma cidade).
- PARTE II -
As luzes acendem lentamente, dando a sensação de um amanhecer. As personagens, caídas no palco, vão-se erguendo, arranjam-se e despem as roupas de personagens fantasiosas (os convidados regressam aos seus lugares). Entre o palco e o público estão, desde o início da peça, roupas penduradas em cruzetas. As personagens despem-se junto destas cruzetas disfarçadas pelas roupas necessárias a esta parte. Quando os actores estiverem vestidos, as cruzetas ficarão visíveis ao público, transmitindo a ideia de morte (há um momento na vida do Homem em que este mata a fantasia e se torna adulto, com tudo o que isto significa de perda da inocência)
Na sala são criados 5 espaços diferentes, de acordo com a cena a representar.Quadro 1 «A Justiça»
A sala está toda escura. Apenas um foco ilumina a cena que se pretende.
O cenário é composto por uma sala de tribunal. Existe uma secretária onde está sentado o juiz, e uma cadeira à frente desta, que é ocupada pelo arguido, que está ladeado por dois guardas.
Personagens:
- Juiz
- Arguido
- 2 guardasJuiz: (batendo com o martelo na mesa) Vamos dar início ao julgamento de Augusto Silva, acusado de homicídio e profanação de corpo. O crime foi cometido a 21 e Setembro de 2008, em casa da vítima. Augusto Silva, o seu advogado encontra-se presente?
Arguido: (baixa a cabeça e os guardas sacodem-no pelos ombros) Eu não…tenho advogado.Juiz: Desculpe, mas é impossível, o Ministério Público certamente se encarregou de enviar um advogado para o defender durante o julgamento.Arguido: (ri-se e fala com desprezo) Acha mesmo que essa gente se importa com os que vivem em caixas de cartão e comem apenas uma refeição decente no Natal? Acha que alguém nos estende a mão?Juiz: (bate com o martelo na mesa) Silêncio! Então está a dizer-me que não tem ninguém que o possa defender?
Arguido: Está a ver aqui alguém? É claro que não há ninguém!Juiz: Assim sendo, não posso julgá-lo. Vai ter que arranjar alguém.Arguido: (visivelmente irritado) E acha mesmo que isso vai valer alguma coisa?! Por favor! Não adianta dizer que não matei ninguém. Não adianta dizer a verdade. Porque vocês são miseráveis, ratos de esgoto. De que vos serve arranjarem-me um advogado se o meu destino está decidido? Eu vou ser preso! Eu sei! Nada fiz para o merecer! Nada! Eu estou inocente, eu não matei ninguém!Juiz: (enfurecido) Silêncio! Não se atreva a desrespeitar-me e a ser insolente! Está na presença do poder!Arguido: (continua irritado) Não me intimide. Pensa que não sei que foi pago para me meter na cadeia 10 ou 15 anos? Pensa que não sei a falsidade que reina por esses lados? Oh, por favor! Vocês metem-me…!Juiz: (perdendo a calma) Não tolero esse desrespeito! Eu possuo provas de que foi o senhor que matou e escondeu o corpo da vítima em questão. Foram feitas buscas no local do crime, tudo foi investigado. Não me diga que é inocente. O senhor é o culpado!Arguido: (aos berros) Então prenda-me! Dê esse presente a quem o apoia, vá! Não perca o dinheiro que lhe prometeram caso me conseguisse incriminar!Juiz: (exaltado) Silêncio! Que insolência! Eu tenho provas! O senhor está preso por homicídio e profanação de cadáver. Aproveite o sol por entre as grades durante 16 anos! Julgamento encerrado! (Bate com o martelo) Levem-no!(Os guardas seguram o arguido pelos ombros e encaminham-no para a saída.)Arguido: (Pára, volta-se para o juiz) Diga-me, como consegue dormir à noite? (As luzes baixam)Quadro 2«Médico e Mendigo»
Cenário: RuaPersonagens:
- Médico- Mendigo(Na calçada de uma rua está sentado um mendigo a pedir esmola e a tocar acordeão. Passa um médico e o pobre pede-lhe esmola)Médico: (apressado) - Mas você não tem mais nada que fazer? Tem bom corpo, vá trabalhar.
Mendigo: (educado) Passe um bom dia, senhor… (E continua a tocar, baixando a cabeça. O médico desaparece no fundo da rua mas deixa cair um panfleto [“Doar Sangue”]. O mendigo agarra nele e corre atrás do médico)
Mendigo: (batendo no ombro do médico) Desculpe, deixou cair isto.
Médico (com ar cínico e com desprezo): Ah, está bem!
Mendigo: Posso ajudar?
Médico: (desesperado) A minha filha precisa de sangue … (arrogante e com nojo) Mas não do seu!
(Toca o telemóvel do médico)
Médico: (fala ao telemóvel) Não acredito! Os dadores não são compatíveis?!
Mendigo (toca no ombro do médico, apoiando-o) Se o que mais ama é a sua filha e se a quer ver bem, ponha as diferenças de lado e aceite a minha ajuda. Não seja arrogante! Não preciso de nada, não peço nada, nem que goste de mim sequer. Faça o mesmo com a sua filha. Ela será como eu: vítima da falta de amor.
Médico (baixa a cabeça, envergonhado e sensibilizado) – Não sei o que lhe possa dizer. Acabou de me dar uma lição de vida. Como mostrar-lhe a gratidão?! Posso chamá-lo AMIGO?Quadro 3«O Álcool»
Cenário: casa de família com televisão.
- homem
- mulher
- filha
Homem (bate à porta de casa e grita) – Ó mulher, faz alguma coisa! Abre lá esta porcaria!
Mulher (levanta-se do sofá e abre a porta) – Isto são horas de chegar? Já viste bem a tua figura?
Homem – Ó pá, não me chateies! (Dá-lhe um encontrão)
Mulher – (com a voz alterada) Não me chateies?! Desde que ficaste desempregado é o mesmo cinema todas as noites! É por tua causa que a nossa filha anda como anda! A culpa é toda tua, nunca te vou perdoar. NUNCA!
Homem – A tua filha é como tu. Mulheres!!!!
Mulher – Ó homem, está calado! Ela anda assim porque tu não lhe dás atenção nenhuma.
Homem – Tu não me mandas calar! (Dá-lhe uma bofetada)
Filha (que estava escondida a ouvir tudo, entra alterada) -Tu não bates na minha mãe! Se eu vomito é porque tenho nojo: nojo do meu corpo, nojo de ser filha de um alcoólico que só sabe bater na mulher e na própria filha.
Homem (aos berros) - Cala-te, tu és uma pirralha que não sabe nada da vida!
Filha – (continua alterada) E tu? Tu sabes o quê? Andar bêbado o dia todo? É isso que tu sabes? Os meus colegas passam o tempo todo a gozar comigo, a dizer que eu sou filha de um alcoólico! Que sou uma gorda! Detesto-te! (Chora)
Mulher – (maternal) Filha, vai-te deitar, já é tarde.
Homem –Vejam se se metem no ninho e se deixam de me encher a cabeça. (Senta-se no sofá e liga a televisão)
Mulher (põe-se à frente da televisão) – Nem penses! Agora vamos falar sobre o problema da nossa filha, ela tem de ir ao médico para vermos o que se passa.
Homem – O que se passa é que ela é doida como a mãe! (Rindo-se e bebendo)
Mulher – Esquece. Não dá para falar contigo nesse estado. Se queres continuar com essa vida, a gastar todas as poupanças que juntei com o meu trabalho, fá-lo sozinho. Eu e a tua filha não aguentamos mais. Vou dormir. (E sai de cena)
Homem – Ai que a conversa já está a azedar! Vai lá... enquanto dormes, não me chateias a cabeça!Quadro 4«A Droga»
Cenário: Bairro social
Personagens:Personagem 1- toxicodependente
Personagem 2 - toxicodependentePersonagem 3 - toxicodependentePersonagem 4 – toxicodependente que tenta recusar a droga(Os3 jovens drogados estão em grupo e, entretanto, o que recusa a droga passa por eles)Personagem 1 – Atão sóc…!Personagens 2 e 3 (ganzados) – Yaaah!…Personagem 1 – Anda cá, meu, quinaste?!… (Oferece-lhe uma “passa”)Personagem 4 – Desculpem, mas não quero… Deixei-me disso há bué tempo!Personagem 2 – Este agora está a armar-se em betinho!Personagem 3 – Bem podes… Não ‘tavas bem? Fazias o que te apetecia, ninguém te chateava… levavas a vida na boa…Personagem 1 – Vá, deixa-te de ser esquisito e bora c’o pessoal.Personagem 4 – Eu deixei-me dessa vida, arranjei bué problemas e agora tenho objectivos!Personagem 2 – Eu bem digo que agora 'tás armado em cortes… todos sabemos que queres vir e que te 'tás a fazer-te de difícil. És um anjinho!(A Personagem 4 acaba por ceder e junta-se ao grupo. Todos enrolam cigarros)Personagem 4 – Dá cá isso… Que se lixem os meus objectivos e os meus cotas…Personagem 3 – Bem me parecia que não tinhas mudado e que continuavas um dos nossos!Quadro 5:«Gravidez na Adolescência»
Cenário: Jardim.
- casal de namorados
(Entra no palco um casal de namorados de mão dada)Fofinha: (melada) Quero ficar contigo para sempre, docinho!Docinho: Eu também, fofinha (pausa). Quando te olho nos olhos parece que o tempo pára. És linda!Fofinha: Docinho, aconteça o que acontecer, nunca me vais abandonar. Promete!Docinho: Claro que não. Prometo. És o amor da minha vida, és o “tal” amor. Jamais te esquecerei. (Mete a mão por dentro da camisola dela, na cintura)
Fofinha: Vai com calma… só andamos há uma semana!Docinho: Não te preocupes… Sem stress…
(Desaparecem atrás do palco. Passados uns segundos, ela aparece com a fita do teste de gravidez a confirmar “positivo”. Aparece ele.)Docinho: Que se passa, baby?Fofinha: Precisamos de falar. Tenho uma coisa importante para te contar, mas não sei como...Docinho: Deixa lá isso. Temos todo o tempo do mundo. (Tenta colocar a mão na anca dela)Fofinha: (veemente) Pára. Deixa-te disso!Docinho: (irritado) Que se passa?!Fofinha: (perplexa e encostada à parede) Estou grávida … e TU (pausa) és o pai… (diz cabisbaixa)Docinho: (incrédulo) O quê ??! Ó miúda, a culpa é toda tua. Eu não tenho nada a ver com isso! Tu é que não tiveste cuidado nenhum! (Grita, e começa a sair do palco). Querias chupar o dinheiro todo dos velhotes. Sabia-te, não?!Fofinha: Mas, … então?! Não me prometeste amor eterno?! Não disseste que não me deixavas, acontecesse o que acontecesse?! Onde já vi eu este filme?!
(Ele ignora e sai. Ela escorrega lentamente pela parede desesperada e com raiva a bater na barriga)
Fofinha: Os homens são todos iguais, têm a cabeça muito perto dos pés. (Irónica) Se eu não fosse mulher!… (Exibe um novo teste que comprova que não está nada grávida).
- FIM -